O Diálogo da Divina Providência - Santa Catarina de Sena

Índice

  • As Quatro Petições e os Fundamentos da Vida Espiritual
    • Capítulo I: A União da Alma com Deus e as Quatro Petições
    • Capítulo II: O Aumento do Desejo Diante da Necessidade do Mundo
    • Capítulos III e IV: O Sofrimento Finito e a Contrição Infinita
    • Capítulo V: O Valor do Desejo por Sofrer por Amor
    • Capítulo VI e VII: A Mediação do Próximo na Virtude e no Pecado
    • Capítulo VIII: As Virtudes Provadas Pelos Contrários
    • Capítulo IX e X: O Tratado da Discrição e o Círculo da Vida
  • Capítulos XI a XXIII
    • Capítulos XI e XII: A Penitência Corporal como Instrumento e a Promessa de Reforma
    • Capítulos XIII e XIV: O Clamor de Catarina e as Degenerações do Clero
    • Capítulos XV e XVI: Punição Agravada pós-Redenção e o Poder Intercessor
    • Capítulos XVII e XVIII: A Fatalidade do Amor-Próprio e a Soberania de Deus
    • Capítulos XIX a XXIII: A Alegria no Sofrimento e a Metáfora Central da Ponte
  • A Doutrina da Ponte e a Via Inferior
    • A Poda Espiritual e a Vinha Universa (Cap. XXIV)
    • A Estrutura da Ponte (Cap. XXV a XXIX)
    • A Via Abaixo da Ponte e a Árvore da Morte (Cap. XXX a XXXVI)
  • As Reprovações de Deus e os Temores Mundanos
    • A Segunda e Terceira Reprovações no Fim da Vida e Tribunal (Cap. XXXVII a XXXIX)
    • A Natureza Dupla do Sofrimento e a Glória (Cap. XL a XLVI)
  • A Jornada pelas Potências da Alma e a Luz da Fé
    • Da Necessidade Crucial do Desapego Volitivo (Cap. XLVII a L)
    • Os Três Escalões Explicados nas Faculdades da Alma (Cap. LI a LV)
    • O Estágio Inicial de Perfeição (Cap. LVI a LX)
  • As Manifestações Divinas e o Tratado da Oração
    • A Manifestação de Deus e as Ascensões da Alma (Cap. LXI a LXIV)
    • O Cume da Oração Contínua, Vocálica e Mental (Cap. LXV a LXVI)
    • As Ilusões do Amor Sensitivo Espiritual (Cap. LXVII a LXX)
  • A Autenticidade das Visões e o Estado Unitivo
    • Distinguir a Luz Verdadeira do Demónio Disfarçado (Cap. LXXI a LXXII)
    • O Baptismo Contínuo e o Degrau da Boca (Cap. LXXIII a LXXVII)
    • A Plenitude Irrevogável (Estado Unitivo) (Cap. LXXVIII a LXXX)
  • Do Conhecimento Infuso à Doutrina das Lágrimas
    • Lágrimas no Céu, Anjos e o Lume Infuso Glorioso (Cap. LXXXI a LXXXVI)
    • A Origem, o Ciclo das Lágrimas e as Lágrimas de Fogo (Cap. LXXXVII a XCI)
  • A Variedade das Lágrimas e os Três Lumes da Razão
    • O Desejo Infinito e os Frutos dos Choros (Cap. XCII a XCVI)
    • Interrogações Cruciais de Catarina (Cap. XCVII)
    • O Primeiro e o Segundo Lume da Razão (Cap. XCVIII a XCIX)
    • O Terceiro Lume: A Morte Extrema da Própria Vontade (Cap. C)
  • As Leis do Julgamento e o Esplendor do Sacramento
    • O Penhor do Céu e o Comando Inexorável do "Não Julgar" (Cap. CI a CV)
    • A Identidade Exata das Visitações Divinas (Cap. CVI a CVII)
    • Preces Intensas e a Imutabilidade do Mistério Eucarístico (Cap. CVIII a CX)
  • Anjos Terrestres, as Duas Leis e a Grave Perseguição
    • O Sentir Íntimo do Mistério e as Exigências Angélicas (Cap. CXI a CXIV)
    • O Crime Hediondo da Perseguição à Sé Mística e as Lágrimas Solitárias (Cap. CXV a CXVIII)
    • A Apoteose dos Servos Solestes: Sol do Corpo Místico (Cap. CXIX)
  • A Reverência aos Sacerdotes e as Trevas dos Maus Ministros
    • O Respeito Incondicional e a Decadência de Muitos Pastores (Cap. CXX a CXXIII)
    • O Câncer da Dissonância e o Repúdio Superior à Imundície (Cap. CXXIV a CXXVI)
  • Simonia, Sacrilégio e o Abismo da Morte
    • As Sombras do Tráfico de Bens e da Falsa Consagração (Cap. CXXVII a CXXX)
    • As Agonias Extremas: O Desfecho dos Pastores Ímpios e Fiéis (Cap. CXXXI a CXXXII)
  • Fuga ao Desespero e o Cântico da Providência
    • A Oração Reparadora de Catarina (Cap. CXXXIII a CXXXIV)
    • Tratado da Providência: Criação, Redenção e Provisão (Cap. CXXXV a CXXXVII)
    • Toda Causa e Efeito Pertence à Vontade Perfeita de Deus (Cap. CXXXVIII a CXL)
  • O Magistério Universal e Minucioso da Providência
    • A Pedagogia das Tribulações e o Socorro Eucarístico (Cap. CXLI a CXLII)
    • Providência Aplicada: Pecadores, Imperfeitos e Perfeitos (Cap. CXLIII a CXLVI)
  • A Harmoniosa Teia da Caridade e o Triunfo da Santa Pobreza
    • O Plano Inclusivo: Imperativos Interdependentes e Esplendor Celeste (Cap. CXLVII a CXLVIII)
    • Pobreza Voluntária contra a Tirania Cega e Cruel das Riquezas (Cap. CXLIX a CLIII)
  • Tratado da Obediência: A Chave que Abre o Céu
    • O Verbo como Encarnação da Obediência Obediente e Vitoriosa (Cap. CLIV a CLVI)
    • As Vias de Obediência Particular nas Ordens Religiosas (Cap. CLVII a CLXI)
  • O Cume da Obediência e a Oração Final de Louvor
    • A Tepidez Religiosa e a Excelência da Verdadeira Obediência (Cap. CLXII a CLXV)
    • Recapitulação Divina e o Êxtase de Gratidão de Catarina (Cap. CLXVI a CLXVII)

As Quatro Petições e os Fundamentos da Vida Espiritual

Capítulo I: A União da Alma com Deus e as Quatro Petições

A obra se inicia descrevendo o estado de uma alma que, ansiosa pelo imenso desejo de honrar a Deus e salvar as almas, exercita-se na "cela do autoconhecimento". Nesse estado de introspecção espiritual, a alma reconhece a bondade de Deus em si mesma. Catarina de Sena relata que esse autoconhecimento é o princípio do amor, e que a verdadeira iluminação se dá por meio da oração humilde e contínua. É através do amor e da união que a alma se torna "um outro Cristo". Jesus Cristo teria dito que quem o ama, nele se manifestará. Assim, aqueles que aniquilam sua própria vontade e se unem à de Deus tornam-se, em essência, idênticos a Ele na caridade.

Neste estado contemplativo elevado, a alma de Catarina (referida em terceira pessoa) apresenta quatro petições fundamentais ao Pai Eterno:

  1. Um pedido profundo por si mesma, reconhecendo que não pode ajudar o próximo sem antes cultivar a própria virtude e obediência.
  2. A reforma e a purificação da Santa Igreja, sua grande e inabalável paixão.
  3. Um clamor pelo mundo inteiro, especificamente pela paz entre os cristãos, que então se mostravam rebeldes e desrespeitadores para com as autoridades religiosas.
  4. Um pedido para que a Divina Providência interviesse em um caso particular que ocorrera na época.

Capítulo II: O Aumento do Desejo Diante da Necessidade do Mundo

O desejo e a angústia de Catarina aumentam substancialmente quando a Primeira Verdade (Deus) lhe mostra a miséria em que o mundo se encontrava, as enormes ofensas cometidas pela humanidade e a tempestade que açoitava a Santa Igreja. Esse sentimento foi ainda mais instigado pela leitura de uma carta recebida de seu guia espiritual (provavelmente Frei Raimundo de Cápua), que transbordava angústia diante dos pecados dos homens. Isso acendeu nela o fogo do "santo desejo" — mesclado com a dor das ofensas e a esperança inabalável de que Deus proveria a salvação.

Na missa matinal, momento de profunda comunhão eucarística, ela chora por sua própria imperfeição. Sentindo-se responsável pelos males do mundo através da intercessão empática, Catarina oferece a si mesma como vítima de justiça. Ela implora a Deus Pai que afaste a justa ira da humanidade ignorante e puna nela as próprias culpas e os pecados que pesavam sobre a Terra.

Capítulos III e IV: O Sofrimento Finito e a Contrição Infinita

Deus responde à sua entrega heroica com uma revelação teológica central: nenhuma pena temporal ou dor puramente física é suficiente para expiar uma ofensa cometida contra o Bem Infinito, que é Deus. A justiça divina não se contenta com penas que têm fim. A autêntica satisfação requer uma contrição de desejo místico e uma dor de caráter infinito — ou seja, uma dor intensa movida por um amor incansável por causa do ultraje a Deus e à perda alheia.

Deus explica que os sofrimentos e tribulações não punem a alma a nível eterno, mas atuam preferencialmente para provar o zelo e testar a fé enquanto a pessoa está viva. Toda a verdadeira expiação se forja quando a dor e a mortificação estão consorciadas com uma vontade infinitamente rendida na humildade absoluta. Mergulhada na certeza do próprio "nada", a alma reconhece que seu ser provém puramente de uma graça resgatada a preço de sangue derramado. E quem mergulha nesse mar da misericórdia converte a angústia dos reveses mortais em combustível de purificação diária.

O Senhor assinala ainda que aqueles pecadores empedernidos que teimam em não receber a correção misericordiosa criam para si um bloqueio como a "pedra de diamante" na alma. Esses não se arrependem enquanto vigora o tempo oportuno; logo que a morte chega, desperdiçam irrevogavelmente o tesouro dado — sua memória, inteligência e as aptidões racionais. Tais almas obscurecidas colherão no fim somente as fumaças de desespero e tormento eterno, sendo que não compensaram com a verdadeira contrição a corrupção que disseminaram.

Capítulo V: O Valor do Desejo por Sofrer por Amor

O zelo ardente em desejar e aceitar as enfermidades corporais ou angústias em honra do Reino dos Céus é altissimamente louvado por Deus nesta seção. Desejar suportar dores contínuas e até a morte mesma constitui uma prova final do compromisso com o Evangelho. O Altíssimo atesta: "À medida que o amor aumenta para comigo, a dor por ver minha majestade ser ferida pelas ingratidões do mundo exacerba as agruras". A fé pura sem a resignação corajosa da paz profunda e aceitação do fardo de forma voluntária é enganosa, sendo a caridade inseparável do abraço integral de qualquer aflição proveniente das Suas divinas disposições.

Capítulo VI e VII: A Mediação do Próximo na Virtude e no Pecado

Toda a dinâmica da virtude construtiva ou do ato culposo acontece, inexoravelmente, através dos canais de relacionamento interpessoal com o "próximo". Nenhuma ofensa humana é capaz de ferir ou alterar a onipotência incorruptível do próprio Deus, a não ser mediante o assalto prejudicial praticado material e mentalmente aos irmãos na terra.

A atrofia pelo desprezo aos seres humanos apaga e neutraliza as intercessões solidárias. Deste "amor-próprio degenerado" eclodem todas as brutalidades globais e ramificações daninhas do tecido eclesiástico: o esbulho na forma de apropriações e usurpações contra vulneráveis, a perversão dissimulada sob lisonjas mentirosas, os palavreados destruidores contra inocentes formadores de guerras civis frequentes, as bestialidades da carne descontrolada e todos os preconceitos ou a hipócrita vaidade política e religiosa de uma parcela perversa da civilização. Longe da caridade, cada cidadão opera como uma fera encarregada pelas artimanhas demolidoras de aniquilar o tecido fraterno.

Inversamente, o manancial das ricas excelências das virtudes foi distribuído em cotas propositadamente fragmentadas ou diversas entre nós. Isso foi realizado dessa maneira estritamente para que toda a coletividade fosse impositivamente submetida aos estímulos solidários necessários e de colaboração inquebrável mútua. Dons doutrinários, administrativos, financeiros e consoladores acham-se deliberadamente repartidos para que os indivíduos aprendam a amparar uns aos outros. As muitas posições e vocações confirmam não o mérito do ego, senão a interdependência contínua na Casa Grande e ampla moradia da glória do Eterno Criador da existência e vida, unida permanentemente pela generosidade ativa na caridade ininterrupta aos carentes de instrução e alimentos.

Capítulo VIII: As Virtudes Provadas Pelos Contrários

Assim como os renegados multiplicam suas culpas injuriando ao redor, os bons fortificam grandemente toda as virtudes sagradas mediante circunstâncias de contratempo e conflito direto frente aos pecadores. Toda a retidão do caráter só atinge comprovação definitiva suportando a provação de opositores que reagem malmente. A doçura branda e o porte manso manifestam-se inteiramente no preciso momento dos surtos coléricos e injuriosos. A autêntica paciência é fortificada, sendo exposta ao crivo perverso de assaltos iracundos. Semelhantemente, apenas mediante lida do coração com descrentes materialistas solidifica-se de fato a vigorosa chama da confiança teológica invencível nas promessas intangíveis de Cristo.

Sobretudo as agressões injustas servem ao cristão autêntico como trampolins redentores da moral. Respostas generosas perante violências acionam uma dinâmica sobrenatural; são como "carvões abrasadores de amor sublime" (no sentido evangélico) sobre os hostis, destituindo muitas vezes e pulverizando completamente a muralha da maledicência interior convertendo então de surpresa tiranos ferrenhos em afetuosos concidadãos do céu. O embate com as adversidades sustenta o rigor da perseverança contra os obstáculos, o pilar de consistência das provas sem as quais o bem seria infundado e fugaz.

Capítulo IX e X: O Tratado da Discrição e o Círculo da Vida

Aprofundando nas regras pragmáticas de orientação interior, este trecho censura os equívocos graves cometidos durante o fervor devocional nas penitências corpóreas extenuantes que não andam associadas ao desenvolvimento genuíno do espírito de entrega humilde. Os excessos e as purificações ascéticas meramente corporais não detêm virtude por si; constituem-se unicamente em ferramentas secundárias. Aqueles corações que baseiam todo o peso da renovação mística unicamente nos rigores corporais sem esfaquear, em concomitância, os traquejos perniciosos de sua autonomia egoísta vão cair indefensivelmente nas garras dissimuladas da ostentação orgulhosa por acharem suas penitências auto-resgatadoras meritórias.

Pelo contrário, o princípio normativo balizador de todo empreendimento interior maduro recebe o valioso título formativo que nomeia o grande "Tratado da Discrição Divina". Tal luz equilibradora permite que as consciências distribuam tudo ordenadamente, primeiro glorificando o Autor primário das qualidades inefáveis da Vida e rendendo em imediato ao próprio eu tudo o que deriva do frangível "Nulidade Absoluta" repleta de limitações ou incorreções culposas.

Um símile teológico engenhoso delineia melhor essa dinâmica: a alma humana repousa assemelhada à grandiosidade robusta de uma vigorosa Árvore cravada irremediavelmente debaixo do infinito Círculo Divino ilimitado – não conhecendo as bordas de um início temporal demarcatório nem tampouco enquadrando demarcações limitantes. Tal substrato protetor onde o pé do leitor está embasado representa a fértil "Terra da Humilde Verdade". Crescendo e fincando grossa ramificação dessa terra modesta eleva-se então a vasta Árvore da Caridade Espiritual cuja resiliência do tronco e vitalidade vigorosa não é senão o madeiro irremovível abençoado pela imperturbável Paciência. Como parte central do braço originado desta Árvore majestosa pulula, enfeitando toda a estrutura, os esplêndidos florilégios vivos que representam a já citada e imprescindível Virtude prudente da Discrição; coroando toda a criação divina. O fruto colhido destas robustas raízes e brotos será indistantemente ofertado na partilha caridosa a honrar integralmente os mandamentos.


Capítulos XI a XXIII

Capítulos XI e XII: A Penitência Corporal como Instrumento e a Promessa de Reforma

Deus prossegue esclarecendo o verdadeiro valor das mortificações físicas e penitências. Ele expressa de modo cristalino que não se deleita primordialmente com a aflição e o mortificar da carne em si, nem com o sofrer externo destituído de uma renúncia interior. A penitência e as múltiplas operações exteriores devem sempre atuar como ferramentas (instrumentos) voltadas para dominar a inclinação carnal, mas o afeto central da alma ("o núcleo do ser") tem de estar unicamente pautado no amor, no ódio à própria vontade egoísta e na virtude incondicional.

A "discrição" consiste nessa sabedoria santificada. Agir com discrição significa tributar amor infinito a Deus e uma caridade coordenada (ou "ordenada") para com o próximo. Ninguém estaria autorizado a cometer uma falha ou um deslize com o pretexto cego de salvar o mundo ou resgatar almas infinitas, pois ofender a Justiça Suprema, ainda que para finalidade compassiva aparente, constitui falta de retidão e corrupção teológica imperdoável.

Ademais, Deus conforta Catarina com a promessa de que, por meio da perseverança no sofrimento suportado em silêncio pelos justos e pelas lágrimas verterdas sem descanso, a Santa Igreja experimentará sua purificação e reforma espiritual. Essa renovação surgirá não por imposição armada, guerra mortífera ou condenações destrutivas violentas, mas do pranto sacrifical humilde dos verdadeiros devotos orantes.

Capítulos XIII e XIV: O Clamor de Catarina e as Degenerações do Clero

Inflamada pelas garantias da Misericórdia Divina e pelo conhecimento agudo tanto de seu nada quanto da grandiosidade esplêndida do amor trinitário, Catarina apresenta uma arrojada intercessão. Reconhecendo no ser humano a capacidade transcendental concedida pela razão, pela memória e pela vontade em semelhança absoluta ao Criador, ela argumenta apaixonadamente, valendo-se da encarnação de Cristo para pleitear a imunidade do povo: já que o Eterno enclausurou-se na "massa corruptível de Adão", roga-Lhe que verta compaixão e não furor.

A resposta da Divindade revela uma dor infinita: a face imaculada da Sua Esposa (a Igreja) assemelha-se agora ao semblante de um doente devastado pela lepra. Os culpados diretos são os ministros e pastores. Deus denuncia energicamente a contaminação do serviço sacerdotal, cujas "mãos imundas", arrogância brutal, vaidade terrena e avareza vergonhosa distribuem paradoxalmente o Santíssimo Sacramento vital. Contudo, Ele explica um princípio inegociável: o Sacramento (o "Leite e o Sangue") jamais é diminuído na sua validade excelsa, tampouco corrompido ou manchado intimamente devido às imundícies pessoais dos seus celebrantes. Apesar disso, tais celebrantes corruptos agem condenando fundamentalmente as próprias almas a um prejuízo colossal.

Lembrando do desastre adâmico, o Pai repassa a estrutura curativa do calvário: a Encarnação divina assumiu, na qualidade de uma Ama de Leite amorosa forte, o formidável e repulsivo remédio do madeiro letal para tratar os "infantes doentes" e enfraquecidos pela culpa. A cicatriz remanescente, atrelada à concupiscência da carne, deve ser cotidianamente regulada pela graça ofertada de forma acessível à liberdade volitiva de cada herdeiro.

Capítulos XV e XVI: Punição Agravada pós-Redenção e o Poder Intercessor

Dada tamanha generosidade transbordante na doação de Seu próprio Filho para apagar a podridão antiga, Deus lança um pesado veredito de justiça e razoabilidade: a responsabilidade culposa no tempo sucessivo à Encarnação tornou-se muito superior, pois o sangue de Cristo abriu completamente e comprou incondicionalmente todos os privilégios inauditos que os precursores patriarcas jamais puderam sequer vivenciar sob a Lei rigorosa. Desprezar tamanho amor, recair em ingratidão obstinada perante a abundância irrestrita de luz e salvação escancara a gravidade do inferno futuro aos que negam a Cruz com dolo. Os castigos que recaem sobre a recusa empedernida moderna são piores que as infrações cegas do longo tempo da ignorância.

A despeito disso, o socorro universal escorre do pranto incessante dos eleitos como Catarina. Não cessando de demandar pela libertação de toda terra estéril e pelo povo rebelde inteiro, Catarina experimenta a dilatação sem precedentes do seu próprio escopo do coração. Onde antes priorizava aos católicos de seu convívio e as almas em estado imediato de ruína, subitamente toda criatura da humanidade entra no bojo resplandecente do seu pranto solidário.

Capítulos XVII e XVIII: A Fatalidade do Amor-Próprio e a Soberania de Deus

Todo o universo, argumenta o Senhor, expele sua toxina pelo "amor-próprio e sensitivo". Destituído da caridade oblatória que exalta a utilidade proeminente do próximo, o apego próprio converte cada indivíduo numa fonte prolífica e geradora inesgotável de todos os conflitos.

Entretanto, não resta refúgio fujão às criaturas da esfera terrena: rigorosamente ninguém possui capacidade, sagacidade ou aptidão escapatória para escapar permanentemente das Mãos Onipotentes. A visão é escatológica e cabal: as pessoas inevitavelmente habitam a "Mão" de justiça e punição, caindo irremediavelmente debaixo do golpe sentencial doloroso eterno; ou refugiam-se sob a concha sereníssima de puríssima misericórdia pacificadora. A ilusão trágica seria alguém julgar existir algum estágio existencial forasteiro da alçada d'Aquele de quem as origens tiram toda a vigência do seu Ser.

Capítulos XIX a XXIII: A Alegria no Sofrimento e a Metáfora Central da Ponte

Extasiada pelo lume, a serva suspira para que em instantes seu simples suor condensado aquecido possa tingir-se do rubro vivo do Sangue e almeja fervorosamente partilhar concretamente os cruéis flagelos que seu benfeitor mestre espiritual passará.

Aqui emerge o pilar insubstituível da edificação teológica do livro, a prodigiosa Doutrina da "Ponte". As águas turbulentas caóticas e mortais geradas desde a expulsão drástica do paraíso formavam um abismo revolto, impenetrável aos transeuntes imaculados em via terrestre, e condenavam invencivelmente toda a humanidade descendente das chagas edênicas a desfalecer e sucumbir fatalmente afogada nos turbilhões caóticos impiedosos deste vale sombrio.

A via achava-se despedaçada e impossível de ser restabelecida pela mera argila ou força vital material. Desceu então a "Altura Sublime" imaculada, estendendo Sua essência divina ilimitável e unindo-a inseparavelmente à matéria rústica dos barros terrenos, criando a Passarela irrompível; a maravilhosa Ponte da salvação redentora erigida perfeitamente através das madeiras retas da humanidade imolada, cimentada pelas calhas dos ensinamentos cristãos e guarnecida contra todas as chuvas hostis.
Sem calcar esse solo redentor sustentado pelas vigotas de virtudes evangélicas encorpadas nas pregações doutrinárias do Verbo Encarnado, não é factível, lícito ou exequível ao peregrino cristão atingir os domínios gloriosos vitais, mesmo exercitando as maiores abstinências ascéticas. Todos formam assim a massa obreira fundamental dos lavradores indispensáveis à manutenção e conservação dessa Vinha Universal Espaçosa – atuando ora nas searas da ordem espiritual contemplativa, ora entre a poeira sufocante e perigos das batalhas carnais constantes seculares exigíveis ao cristão maduro diário.


A Doutrina da Ponte e a Via Inferior

A Poda Espiritual e a Vinha Universa (Cap. XXIV)

Deus detalha como cuida dos tralches (servos) unidos à Verdadeira Vide (Cristo). Através de provações e tribulações, Ele "poda" as almas para que gerem frutos mais doces e abundantes, eliminando qualquer aspecto de vida selvagem ou viciosa. Aqueles que recusam dar bons frutos são cortados e lançados no fogo eterno. Curiosamente, a vinha de cada pessoa está essencialmente interligada com as vinhas dos vizinhos e de toda a Igreja Cristã, significando que operar no bem na própria alma nutre a coletividade, enquanto a contaminação individual envenena inevitavelmente o próximo.

A Estrutura da Ponte (Cap. XXV a XXIX)

Respondendo ao desejo de Catarina de ver quem cruza a Ponte, Deus ensina que a Ponte – que é o corpo e sacrifício de Cristo – estende-se sem quebra do Céu à Terra, unindo a altura suprema da Deidade com a baixeza da argila humana. Esta Passarela possui três degraus ou "scaloni" fundados primariamente na cruz, representando as potências da alma (memória, intelecto e vontade) e três estados espirituais graduais.

  1. Os Pés: O afeto terreno é abandonado; é o início do desapego.
  2. O Costado: Alcança-se o coração aberto do Verbo, encontrando o puro e inefável amor que confere luz profunda à mente.
  3. A Boca: Atinge-se a suprema e serena paz.

A Ponte é emparedada por virtudes reais cimentadas com o próprio sangue divino de Cristo, protegendo os viajantes da intensa chuva da Justiça de Deus. Sobre ela encontra-se uma esplêndida "hospedaria": o seio da Santa Igreja que administra a substância vital do Sacramento Eucarístico, evitando o desfalecimento dos peregrinos no trajeto. Sem a ascensão inicial dessa ponte, não restaria solução ao abismo rompido pelo pecado mortal. A subida celestial da Ponte (Ascensão) não removeu a passagem terrena, pois Cristo, ainda ausente em corpo, deixou sua Doutrina imutável perpetuada na iluminação do Espírito Santo, pregada heroicamente pelos mártires, doutores e Igreja.

A Via Abaixo da Ponte e a Árvore da Morte (Cap. XXX a XXXVI)

Enquanto a Ponte eleva em verdade e luz, existe o "rio por baixo" que afoga e leva à perdição as almas cegas. Após exaltar extasiada os méritos da Misericórdia, Catarina contempla a tragédia repugnante daqueles que escolhem caminhar nas águas lamacentas. Deus os chama de "Árvores de Morte". Sustentados pelas raízes profundas da soberba e abraçados à indiscreção, o núcleo destas almas é completamente tomado por um "verme" corrosivo da consciência, temporariamente ofuscado devido à cegueira do deleite imediato enganoso. Estão imersos numa cegueira crônica.

Os frutos apodrecidos destas árvores englobam uma infinidade terrível de pecados que aviltam a honra angelical inicial humana. Incluem a miséria vergonhosa da luxúria (comparando homens a animais no lamaçal), a brutalidade assassina e ladroagem desencadeadas pela avareza insaciável dos usurários, e a falsidade letal dos dominadores sedentos por poder e autoridade irrestrita. Imersos neste pântano, os viajantes do rio profanam a razão e geram a falsa injustiça, pela qual frequentemente acusam com incredulidade audaciosa e escandalizam-se com as santas obras de Deus, atribuindo-as sempre erroneamente a motivos demoníacos ou cruéis. Essa incredulidade acarreta uma reprovação trina, uma delas através contínua da Doutrina de Cristo que serve como o derradeiro e irrefutável padrão moral vivo.

As Reprovações de Deus e os Temores Mundanos

A Segunda e Terceira Reprovações no Fim da Vida e Tribunal (Cap. XXXVII a XXXIX)

A ignorância mortal sofrerá seu julgamento mais duro à beira do leito de morte (segunda reprovação), onde todas as ilusões efêmeras do amor-próprio perdem a consistência. A alma é açoitada atrozmente pelo agora enxergante Verme da Consciência. O delinqüente frequentemente cai no absoluto desespero ou arrependimento falido: chora pelo medo pavoroso das chamas ardentes infernais, e infelizmente não lamenta a suprema ofensa que provocou à Caridade infinita de Deus. Desta falsa contrição nascem o rancor e a perdição suprema — um pecado imperdoável semelhante ao desesperançoso tormento trágico de Judas que duvidou mais da eficácia divina do perdão do que temeu o mal do próprio ato traidor.

Na terceira reprovação (o Juízo Universal dos tempos finais), o horror da condenação aumentará avassaladoramente. A humanidade glorificada de Jesus já não aparecerá modesta ou como mendigante compassiva; retornará com o poder majestoso da Justiça impiedosa aos ímpios. A aparência divina, intrinsecamente amável, parecer-lhes-á intoleravelmente aterrorizante devido à própria "doença oculta" e ódio latente nos olhos condenados deles. Seus corpos, previamente intrumentos vis de volúpia, voltarão pavorosos para compartilhar fisicamente dos vexames das almas unidas a eles etermamente.

A Natureza Dupla do Sofrimento e a Glória (Cap. XL a XLVI)

Deus revela nitidamente o agudo e desintegrador contraste com a glória ininterrupta celeste. O cume da exaltação celestial é que nenhum amor entre os santos ou com o próprio Deus carece do que aspira; sentem o gozo permanente onde a sede de amor sacia e cria uma jubilosa recarregada de novos amores infindos e saciados simultaneamente — partilhando inclusive intimamente todas as boas conquistas espirituais experimentadas outrora na terra pelos seus afetos santificados.

Contrastantemente, os condenados são aprisionados pelos demônios sem tréguas, vivenciando o peso avassalador das chamas não-consumistas, a privação desesperadora perpétua da majestosa visão beatífica de Deus, o esmagamento das contínuas reprovações interiores do remorso infindo e o vislumbre aterrorizante diário face a face de Satanás (este vislumbre do Inimigo, explica Deus, ultrapassa horrores indescritíveis, a tal ponto que Catarina antes da visão preferiria percorrer veredas calçadas em fogo pelo resto do tempo cósmico a encará-lo em sua real forma horrível mais de uma vez).

O diabo freqüentemente age apresentando-se mascarado sobtil e sub-repticiamente como falsos benefícios (o enganoso feixe de "ouro envenenado" e o suposto monte maravilhoso de grãos que essencialmente só têm palha), explorando a avidez incessante natural do ser humano para devorar algo visível ou utilitário no imediato. Como o coração destas vítimas afunda ativamente nesse engano, a pessoa já degusta "as arras do Inferno" em pleno plano material devido ao pânico perpétuo de perdas de honra, saúde corporal ou dinheiro que amealha loucamente; ao passo equivalente, os fiéis que avançam sobre o solo pavimentado e duro, mas acolhedor da Ponte Divina experimentam simultaneamente "as celestes arras da Paz", tolerando as pancadas carnais e tribulações exteriores (espinhos originários da falha inicial) dotados de profunda placidez, alegria unida e vontade soberanamente intocada, subindo isentos sobre eles na caminhada imperturbável. O trabalho espiritual desenvolvido no rio (morto em graça) jamais conquista salvação celestial suprema, embora possa fortuitamente receber provisórios alvitres em favores mundanos meramente passageiros e banais.

A Jornada pelas Potências da Alma e a Luz da Fé

Da Necessidade Crucial do Desapego Volitivo (Cap. XLVII a L)

Indivíduos em qualquer estação da sociedade — do religioso recluso estritamente asseverado, ao magnata e a chefes de família imersos nas ocupações sociais —, gozam de potencial salvífico absoluto, pois não há posição humana onde a misericórdia redentora lhes esteja ocultada se o percurso for retificado adequadamente. A base desta salvação não clama pelo abandono irrestrito forçosamente tangível das posses financeiras, mas, com certeza essencial e radical, demanda despir as posses do afeto nocivo sufocante. Pela luz incandescente da fé e discernimento ordenado, uma alma lícita e amorosamente detém fortunas não como proprietários avarentos de tais tesouros, mas portando-os de maneira inteiramente submissa à Divina Providência qual servos mordomos ou guardiões desprendidos gratos. A verdadeira contaminação desastrosa localiza-se na volição egocêntrica; um apego desmesurado e frenético pelas posses ou status terrenos transforma estes dons benignos provenientes de Deus num mortífero veneno do escorpião.

O simples pavor incutido pelas afecções nefastas e pelas castigos (o "temor servil") instiga meramente uma recusa paliativa da lama mundana. Ele não possui forca estrutural capaz por si só de nutrir ou conduzir definitivamente uma alma para a imortalidade do prêmio perene eterno de Deus se este pavor egoístico primitivo nunca evolutivamente refinar e desembocar num arrepio perfeitamente pautado no amor generoso compassivo de virtudes maduras operantes. Em outras palavras, se o viajante expurgar unicamente seu quarto da sujeira atrelada ao mal pecaminoso, contudo falhando e deixando a habitação moral nua de valores frutuosos de boas obras ativas construtoras do bem na vizinhança relacional social, terminará irrevogavelmente sem a verdadeira energia da perseverança sustentável até o cume salvífico, recuando infelizmente após qualquer adversidade.

Os Três Escalões Explicados nas Faculdades da Alma (Cap. LI a LV)

Deus elucida de forma maravilhosa a mecânica profunda na subida nos três degraus figurativos da sua divina Doutrina. Eles corporificam as engrenagens mestras e três faculdades mentais elementares humanas que agem atreladas organicamente no livre-arbítrio com o peso do amor e com a razão divinizada sob a caridade ardente suprema em uníssono. Em conjunto indissolúvel as três escadas interrelacionadas compreendem as competências dadas ativamente ao homem dotado a atingir sem padecimentos cruéis e de vez o Céu, ou caso contrário, tornarem instrumentos perfeitos infernais que acarretam ao naufrágio absoluto final eterno se mal geridas a serviço passional da sensualidade.

A) Amor na Vontade Inferior/Afeto: Pondo-se perante o amor, inicia a sacudir-se vigorosa dos confortos estáticos sensuais em prol de anuir inteiramente num alvo muito mais grandioso superior que as paixões rasteiras instintuais dos desejos efêmeros terrenos. B) Intelecto Focado: Acende um feixe cognitivo da divina Verdade, debruça e escrutina a enormidade trágica da miséria no qual caiu pelas culpas somas bem como a grandiosa estatura inicial, imbuindo a compreensão das riquezas indizíveis da redenção da incondicional Piedade Celestial e as ofertas valiosíssimas da redenção por via do Verbo Divino revelado. C) A Memória Reclusa Constante do Bem: Absorve estritamente a bondade majestática com enorme avidez e preserva contundentemente nítidos os recordos beneplácitos graciosos imensuráveis que o Senhor dispõe contínuamente. Rejeitando terminantemente arquivar quaisquer entulhos supérfluos, rancores obscuros ou afecções vaidosas mortíferas nos recantos recônditos cerebrais, transbordando então a paz do Céu nos níveis recônditos internos invioláveis e perpassando do tempo transitório à perenidade celeste em uníssono.

A comunhão firme dessas faculdades ("Quando dois ou três estiverem reunidos... Eu estarei entre eles" significando essencialmente essas três instâncias internas unidas à doação máxima de duas diretrizes morais – honrar intimamente e perfeitamente a Deidade sem limite e espalhar oblativo socorro infindável generoso sem exigências frente ao vizinho, culminando harmoniosamente unificados) gera o vigor indestrutível da autêntica vida cristã resistente que repudia ser abalroada.

O Estágio Inicial de Perfeição (Cap. LVI a LX)

Há três estágios no caminho ascensional ou vivencial, delineando as transições graduais que superam e transgridem finalmente a barreira estreita inicial da obediência motivada no espancamento atroz até chegar ao patamar irremissível e pacato do destemor autêntico da afeição ilimitável filiar imperturbável em comunhão santificada pura, não esperando ser amado nos méritos para ofertar todo resguardo a quem necessite no meio de angústias ou opressões que encontre pela encruzilhada humana no peregrinar diário. Como imperfeição patente ainda nestas vias, permanecem e avolumam multidões e agrupamentos vacilantes, de servos chamados 'mercenários', indivíduos temerosos servindo não por um enraizamento abnegado apaixonado mas fundamentalmente seduzidos aos gáudios da contemplação pessoal, pelas visões, glórias ou até pelo aconchego caloroso interior tranquilizador consolatório recebido – fato prontamente flagrado nos instantes quando perdem essa estabilidade em que repentinamente cessam seus exercícios morais louváveis retrogradando à insípida miséria egóica primitiva pela carência deste retorno passional emocional divino momentaneamente denegado em provação salutar divina como o próprio autor lhes indica que assim deve sê-lo aos fiéis amadurecem infalivelmente sem a constante e imediata gratificação.


As Manifestações Divinas e o Tratado da Oração

A Manifestação de Deus e as Ascensões da Alma (Cap. LXI a LXIV)

Deus elucida as três formas magistrais com que Se manifesta às almas: 1) de forma geral e comum através dos inúmeros benefícios dados a todos; 2) concedendo afeto, amor, e frequentemente o dom profético para o bem da Igreja; 3) formando a presença sensível do próprio Filho (A Verdade) na mente devota. O Pai ensina que frequentemente retira a graça "por sentimento" (e não essencialmente) para que a alma desça ao vale do autoconhecimento, reconhecendo a sua fraqueza inata. Ele ensina que reter afeto num apego espiritual ou exigir afagos constantes d'Ele é um amor ainda interesseiro e mercenário. Se a alma não O reverencia sem procurar exclusivamente as suas utilidades, manifestará igualmente a mesma imperfeição no modo como lida amorosamente com os seus vizinhos humanos.

O Cume da Oração Contínua, Vocálica e Mental (Cap. LXV a LXVI)

Aquela alma trancada no esconderijo do autoconhecimento vigia com enorme zelo utilizando a maravilhosa arma da oração unida à fé incontestável. Deus revela que a mera repetição irrefletida de muitos Salmos ou Pais-Nossos ("oração vocal") sem nunca imergir a mente no afeto ("oração mental") é pouco rendosa e agradável. A jornada pede que a oração vocálica atue como simples propulsor que, ao acender o motor da oração mental profunda (focada não apenas nos pecados pontuais nefastos, mas na vastidão inesgotável da misericórdia pelo Sangue de Cristo), deve ser abandonada momentaneamente logo que a divindade toque e chame a alma no íntimo. Mais ainda, o Pai considera qualquer serviço enraizado na santa vontade caritativa prestado ao próximo, independentemente do lugar ou momento, como a mais autêntica e contínua das orações.

As Ilusões do Amor Sensitivo Espiritual (Cap. LXVII a LXX)

O Criador põe a nu as subtis armadilhas (enganos) onde estacionam os que anseiam por conforto mental. Homens do mundo praticam escassa virtude motivados apenas pela euforia de tempos favoráveis; mal chega a provação, o seu ardor esfria subitamente porque o seu encanto residia no bem-estar egocêntrico provisório e não na verdadeira devoção. Mesmo entre os servos sinceros há um engano letal: priorizar as consolações espirituais ou visões acima da caridade. Estes chegam ao cúmulo absurdo de negligenciar ativamente o socorro necessário a um irmão doente ou carente alegando o pretexto de que perderiam "a paz mental" e violariam a rotina pessoal preestabelecida de isolamento e preces. Negando o auxílio ao outro ignoram redondamente que ali mesmo perdem, de facto, a própria fonte genuína de onde sorviam consolação: a caridade fraterna em Deus.

A Autenticidade das Visões e o Estado Unitivo

Distinguir a Luz Verdadeira do Demónio Disfarçado (Cap. LXXI a LXXII)

Diante daqueles servos terrivelmente apegados aos gozos extáticos da mente, o Demónio pode, com facilidade sinistra, transfigurar-se e projetar "falsas luzes" (visões fingidas de anjos ou santos) oferecendo-lhes falsos dons. O Pai fornece uma regra inelidível de validação e discernimento: a invasão sombria disfarçada começa com uma repentina vaga de euforia triunfante mas degrada-se dolorosamente em escuridão, confusão mental pesada e tédio insípido. Contrastando visceralmente, a descida divina real assombra inicialmente com um fortíssimo, lúcido e sacrossanto temor perante a própria gritante abominação indigna humana, mas a seguir culmina e irradia uma paz majestosa iluminada de segurança inabalável.

O Baptismo Contínuo e o Degrau da Boca (Cap. LXXIII a LXXVII)

Uma alma já provada não se limita a emular timidamente um Deus compassível mas impassível; preferindo seguir de forma arrojada os cravos lancinantes e abrojos de Cristo, mergulha no Sangue transbordante aberto na Sua Sagrada Ilharga. Aí compreendem não só o poder do Baptismo original com água, mas as vertentes perenes do Baptismo de Fogo (desejo supremo da verdade) e especialmente a inesgotável misericórdia da Confissão e arrependimento dos que caíram pelo pecado. Ao subir ao terceiro patamar do corpo místico ("Boca"), mastigam vorazmente as calúnias injuriosas, torturas ou fomes com os incríveis dentes do Amor santo e do Ódio redentor.

A Plenitude Irrevogável (Estado Unitivo) (Cap. LXXVIII a LXXX)

O quarto reduto espiritual inseparável constitui aquela etapa deslumbrante em que o amor atinge o estado "unitivo". Gloriam-se estigmatizados na sua mente pelas dores cruciantes suportadas pelo próximo ou para exaltar o estandarte de Cristo. Deus Pai diz não se apartar jamais dessas grandes almas "por sentimento", exceto numa modalidade absolutamente restritiva ("por união"): uma fuga piedosa para que o modesto jarro corporal humano, pesadamente saturado por vivenciar a experiência glorificada em essência com a divindade, não venha a estilhaçar mortalmente. As vitórias dos unidos zombam de todos os artifícios do mal, provando em triunfo que até a escória pecaminosa, e contra a sua pérfida vontade rebelde, acaba sempre subjugada forçosamente a retomar a glória providencial de Deus, tal como ensinou São Paulo em sua sublime tortura da carne opositiva.

Do Conhecimento Infuso à Doutrina das Lágrimas

Lágrimas no Céu, Anjos e o Lume Infuso Glorioso (Cap. LXXXI a LXXXVI)

Até os exércitos demoníacos prestam inexoravelmente glória à Justiça Divina, atuando como punidores incontestáveis dos corrompidos e exercitadores incansáveis das virtudes dos justos. Os Bem-aventurados exultam infindavelmente de desejo de salvação fraterna sem dor. Essa capacidade brota pelo inestimável "lume infuso", dado à parte da razão e cultura humanas. Devido a ele, um cristão simples decifra segredos em enigmas bíblicos que estonteiam os teólogos envaidecidos das altas letras mortais limitadas.

A Origem, o Ciclo das Lágrimas e as Lágrimas de Fogo (Cap. LXXXVII a XCI)

Em apoteótico êxtase de devoção, Catarina pergunta diretamente como operam as águas de choro. Deus esclarece de forma cirúrgica cinco estados do pranto essencial que desaguam da cisterna sensível do coração:

  1. Lágrimas Fatais Pútridas: originadas por pessoas mundanas perversas, choro mesquinho devido a frustrações materiais carnais efêmeras e da honra.
  2. Lágrimas pelo Temor da Severidade: choro brotado por medo incipiente focado essencialmente nos cruéis castigos reservados.
  3. Lágrimas Ternos-Espirituais: mescla o arrependimento amoroso, jorradas por pessoas em afetos que egoisticamente receiam o fim drástico das consolações internas divinas.
  4. Lágrimas Perfectíssimas Doadas: verter águas plácidas focadas abnegadamente na trágica dor dos escárnios aviltantes proferidos contra o Senhor, e por sofrimentos inomináveis do próximo.
  5. As Águas Mansas de Júbilo Doce Final: erupção serena unida do invicto repositório final da mente pacificada, unida ao Oceano Divino ilimitado eterno pacificatório nas lágrimas místicas e absolutas perante a Verdade plena.

Finaliza elucidando, prodigiosamente, a maravilha das "Estupefacientes Lágrimas de Fogo", providenciadas aos incapacitados constitucionais para o choro físico húmido de face contrita: elas consistem no almejo desmedido insaciável que abrasa o coração de purificação colossal redentora que eleva a divinização infinita por virtude pura interna operada unicamente não por olhos, mas pelo esplendor das chamas ativas pelo amor e fervor insaciáveis pelo Espírito Santo.


A Variedade das Lágrimas e os Três Lumes da Razão

O Desejo Infinito e os Frutos dos Choros (Cap. XCII a XCVI)

A Providência clarifica que os quatro últimos tipos de lágrimas possuem infinitas ramificações. O amor exigido por Deus é infinito em desejo. Em contraste, as lágrimas mundanas germinam da raiz apodrecida do egoísmo, sendo fustigadas por quatro tormentas implacáveis: o vento da prosperidade que infla o orgulho, o vento do temor servil da perda, a lufada da amargura e impaciência perante as adversidades concretizadas, e a ventania insuportável de uma consciência fugidia. Do lado oposto, o choro fundado no temor e no amor incipiente às virtudes limpa o íntimo; as lágrimas do terceiro estado propiciam a poderosa mesa da Cruz, onde se forja a inabalável realeza da paciência. Por último, as águas de estágio unitivo repousam a alma diretamente no seio da caridade (o leito místico de Cristo), trazendo um regozijo perene, memórias repletas das benesses de Deus, agudeza unida intelectual e santidade volitiva.

Interrogações Cruciais de Catarina (Cap. XCVII)

Extasiada com a Doutrina de Cristo revelada, Catarina apresenta três questionamentos a Deus Pai: 1) Que conselho prático dar àqueles desorientados que almejam sinceramente servi-Lo? 2) Se deve usar de discernimento acusatório caso detete em intuições espirituais (em orações) ou nas práticas alheias um vazio ou treva, e se deve medir o próximo pela quantidade de penitência física executada. 3) Pede clareza para destrinçar, com absoluta firmeza e segurança, a genuína alegria oriunda da visitação divina do gáudio falsificado de aparências que o Diabo induz.

O Primeiro e o Segundo Lume da Razão (Cap. XCVIII a XCIX)

Para responder cabalmente, o Pai divide o discernimento sob a égide dos três lumes da razão humana infundida. O primeiro lume (geral) compreende a consciência óbvia sobre a caducidade terrena e propensão débil da inclinação carnal, útil e indispensável para fugir ao rasto destrutivo do pecado. O segundo lume é o estágio "imperfeito" dos avançados: abrange os devotos extirpadores radicais do seu próprio corpo através de intensas torturas ascetas para dominarem a carne perversa. Se falharem na verdadeira fundação humilde, esses penitentes radicais criam facilmente armadilhas ilusórias na própria mente orgulhosa, exigindo experiências confortáveis predeterminadas mentalmente e caindo redondamente no atroz pecado do "julgamento crítico" e murmuração ácida contra os pares que não traçam as suas rígidas pegadas físicas.

O Terceiro Lume: A Morte Extrema da Própria Vontade (Cap. C)

O patamar de elevação definitivo é o terceiro lume ("a morte incontestável do querer"). Nele habitam servos que centraram todos e quaisquer esforços estritamente no extermínio avassalador não do "vaso lúteo" corporal externo, mas da vontade auto-centrada submissa cobiçosa caprichosamente própria. Consequentemente, alimentam-se tranquilamente na mesa infame dos baldões do sacrifício crucificado, onde não evadem os golpes ríspidos nem escolhem batalhas específicas. Alegram-se estupefactos pela formosura diversificada dos caminhos de Deus nos irmãos e retiram um perfume floral virtuoso puro dos variados métodos práticos trilhados por cada um ao redor, repelindo incondicionalmente ser os censores das falhas em outrem.

As Leis do Julgamento e o Esplendor do Sacramento

O Penhor do Céu e o Comando Inexorável do "Não Julgar" (Cap. CI a CV)

Nesse píncaro do terceiro lume experimenta-se abertamente um penhor temporal das alegrias celestes infinitas através das chamas contínuas devoradoras focadas obstinadamente no amor fraterno desmedido (nutrição das almas). Deus ensina-a magistralmente quanto às regras da denúncia fraterna: caso veja deficiências concretas nos próximos (mesmo nos ministros divinos), nunca as deve julgar maliciosa e arrogantemente por suspeita presunçosa mental ou mesmo sensível, assumindo o tenebroso manto satânico de "juiz das intenções íntimas". Se notar ou "acreditar ver em preces místicas" uma pessoa toldada pela escuridão pecaminosa de estagnação, isso poderá ser uma tática providencial de aridez momentânea que o Pai determinou estritamente para que ambos implorem ativamente à clemência, logo, recair em crítica maldosa interior será ignorância cega presunçosa. Rejeitando terminantemente utilizar os rigores das chibatadas das auto flagelações físicas dolorosas como base fundamental basilar (mas usando-a como instrumento maleável menor), a censura só será licita brandamente, por meio da empatia dolorosa co-sensitiva intercessora humilde de amor embutida partindo do compassivo sofrimento universal, a sós ou junto dos supervisores eculares (a Igreja mística).

A Identidade Exata das Visitações Divinas (Cap. CVI a CVII)

Lançando luz no dilema sobre a alegria gerada espiritualmente: toda a criatura alegra-se automaticamente ao granjear o objeto avidamente ansiado; logo, caso ame de forma ignorante as sensações mentais jubilosas, a chegada de um demónio alumiado portando euforia falsificada também inundaria a sua alma com um gozo vibrante que a fascinará pela autoprojeção dissimulada de conquista desse falso almejo interno. O carimbo inegável e estritamente atestador da intervenção autêntica celestial provém unicamente do seguinte pressuposto incisivo formidável: o regozijo inebriante obrigatoriamente estará e permanecerá permanentemente abraçado impenetravelmente às profundas raizes rebaixadoras aniquiladoras de humilde baixeza construtiva de si mesmo acoplado com um ardor abrasivo intenso do devotamento laborioso do próximo. A simulação malévola evaporar-se-á vertiginosamente, deixando pântanos desérticos sombrios áridos na vontade operosa envenenada nos corações orgulhosamente embruxados.

Preces Intensas e a Imutabilidade do Mistério Eucarístico (Cap. CVIII a CX)

Extremamente grata, a seráfica filha entrega intercessões ardentes gerais pelos eclesiásticos, roga amparo protetivo especial para os entes chegados sob o seu braço salvífico e submete fervorosa petição dedicada especialmente pelo bem unificado coeso formador dos seus dois orientadores vitais (Pais). Rogando seguidamente que Deus destape categoricamente e descreva cabalmente a realidade amarga nauseabunda tenebrosa em que operam os ministros sacerdotais maculados da Igreja pecaminosos hodiernos. Para a situar nesse contraste chocante tétrico assombroso de iniquidade infiel com a luz, Ele ilustra preliminarmente as fundações intocáveis magnânimas puríssimas majestáticas da "Dignidade Preestabelicida Magnânima" em relação ao ofício Sacerdotal Eclesiástico Supremo. Utiliza de exemplo paradigmático glorioso as maravilhas intatas e esplendorosas incólumes do Sol no Pão e no Vinho – sacramento imaculado perene da Eucaristia, cuja potência, virtuosidade, pureza impoluta e inteireza integral jamais padecem nem minguam mesmo quando consagradas (ou devoradas) em almas imersas num esqueleto podre de corrupção mortal e imundice reprovada trevosa ignóbil escandalizante iníqua.

Anjos Terrestres, as Duas Leis e a Grave Perseguição

O Sentir Íntimo do Mistério e as Exigências Angélicas (Cap. CXI a CXIV)

Os grosseiros e mentirosos sentidos corpóreos limitados fracassam rotundamente perante o véu enganoso obstativo aparente carnal do pão eucarístico branco: contudo, a audaz mão ágil invulnerável aferrada com os olhos perspicazes luminosos claríssimos iluminados do intelecto do entendimento místico tocado pela fé sentem inequivocamente, palpam vigorosamente e degustam integralmente o mistério da Trindade una indissolúvel fundida num todo indissociável na Hóstia sagrada, imprimindo permanentemente no recipiente com afinco a união das virtudes santificantes se em boa hora preparado (que de facto foi presenciado extasiadamente numa transfiguração visível de luz rutilante imaculada de um refrato solar colagado com ave candida mística testemunhado fisicamente em tempos áureos passados memoráveis vividos por Catarina nos momentos exatos do rito de murmúrio sacro eclesiástico sagrado da liturgia eucarística presenciada). Esta magnitude incalculável exige abissal inegociável reverência imensurável de pureza angélica por parte dos confessores presbíteros investidos – que lhes demanda peremptoriamente rejeitar avareza negocial vergonhosa monetária infame ao ministrar o inelidável batismo da redenção. Eles, financiados esmolermente retamente devidamente caritativamente pelas laicidades seculares providenciadoras, cingem-se por norma imperativa inquebrável dividir tripartidamente tudo: parcos rendimentos próprios para auto-subsistência humilde digna simples, quinhões generosos em misericórdia dadivosa ampla para órfãos decaídos (indigentes), e auxílio para as primárias precisões inerentes funcionais dos templos sacros imobiliários físicos congregados de oração.

O Crime Hediondo da Perseguição à Sé Mística e as Lágrimas Solitárias (Cap. CXV a CXVIII)

E, de facto, estritamente nenhum erro flagrante pernicioso humano abominável inegável retira poder transfigurador de milagre divino ao ritual eclesiástico realizado. A gravíssima punibilidade dos desmandos aberrantes depravados sacerdotais é e sempre será matéria cativa cativante jurisdicional divina soberana indisputável intocável imperscrutável inatingível exclusivamente e irredutivelmente só d`Ele Supremo (e hierarcas eclesiásticos mandatários sagrados supremos submetidos ao Corpo Místico encabeçado intocado do Sumo Pontífice Vigário petrino superior detentor imaculado vitalício basilar inamovível mandatário principal). Interferência intrometida civil mundana coerciva agressória de civis castigadores, reis e fidalgos justiceiros insurgentes e críticos seculares rebelados insolentes contra o Clero impuro degenerado repete vilmente o infame hediondo acto de apedrejar Pilatos Cristo – um crime abominavelmente insolente e o maior de todos os escândalos possíveis destrutivos; os civis arrogam-se dissimuladamente ao justiçado corretivo falsificado orgulhoso como desculpa para esmagarem e esborracharem furiosamente a Igreja e humilhar de forma rancorosa vingativa e letal usurpável impenitente insubmissa a inamovível e sagrada intata majestosa autoridade das próprias excelsas escorrendo preciosidades sublimes das "chaves de sangue" cristo-verbo-sangradas vertidas redentoras! O castigo desmedido reservado imperdoavelmente é a ligação perpétua doentia do cordão mortífero no fojo abismal tenebroso diabólico sem clemência apaziguadora caso no último limiar de agonia na morte carnal iminente não derramem as águas de choro copiosas chorosas contritas salvíficas humildes imploratórias curadoras absolutas misericordiosas.

A Apoteose dos Servos Solestes: Sol do Corpo Místico (Cap. CXIX)

Para aliviar de momento o dilaceramento cruciante horroroso e consternador dantesco avassalador imposto à mente entranhável terna compassiva afetuosa adoradora puríssima da Santa ao conhecer o horror destrambelhado dos clérigos pervertidos, o Senhor expõe os luminares exemplos modelares épicos imortais imaculados e glorificados impolutos de santos sumos obreiros prelados precursores magnânimos, doutrinadores e confessores da Verdade que encarnaram e consubstanciaram a perfeita refulgência impenetrável unida cósmica celestial integral autêntica formidável de "Sóis Fulgurantes Radiosos Místicos". Esses iluminadores incorruptos aqueciam sem amedrontamento ou medo temeroso subserviente de perder provisões laicas temporais corruptas providenciais humanas incutidas na alma. Castigavam e operavam dolorosas ataduras de ferros abrasadores para secar curativamente a podridão maligna das pústulas pecaminosas fétidas entranhadas mortais nas chagas abertas de enganos alheios (dos fiéis pastoreados sob a sua égide compassiva orientadora impetuosa retificadora inabalável).


A Reverência aos Sacerdotes e as Trevas dos Maus Ministros

O Respeito Incondicional e a Decadência de Muitos Pastores (Cap. CXX a CXXIII)

A doutrina reitera, categoricamente, que a dignidade da ordenação presbiteral consagra os padres como "anjos terrestres", encarregados de administrar o "Sol" inabalável do Sacramento Eucarístico. Essa intocável grandiosidade exige que todo leigo devoto jamais ataque fisicamente ou tente julgar as faltas clericais; mesmo os padres pecadores não sujam a força redentora do sacramento. Infelizmente, uma quantidade imensa de clérigos assenta os seus pilares no pântano lodoso do amor próprio e orgulho sensitivo. Longe de pastorear e nutrir as almas virtuosas, desperdiçam copiosamente os bens eclesiais da caridade com avareza mundanamente corrupta, deleites materiais luxuriosos, caçadas frívolas, vestimentas pomposas e jogos de taverna.

O Câncer da Dissonância e o Repúdio Superior à Imundície (Cap. CXXIV a CXXVI)

Catarina descreve a profunda amargura das suas visões transcendentais perante os níveis de degradação: as mãos consagradas de muitos chafurdam em abominações obscenas, especialmente a corrupção do gravíssimo "pecado contra a natureza", uma profanação asquerosa e repelente tão monstruosa que até a própria essência espiritual decaída e sombria dos demónios repele participar em tais atos desoladores hediondos. A imoralidade instalada cega-os inteiramente a qualquer instinto de justiça fraternal; portanto, os maus superiores deixam de admoestar, guiar e adestrar, pois não exclamam sobre nódoas flagrantes por pura covardia complacente, dado que compartilham as mesmíssimas vidas sujas, arrastando junto subordinados fracos num lamaçal pecaminoso, esvaziando escandalosamente as promessas sacramentais do clero.

Simonia, Sacrilégio e o Abismo da Morte

As Sombras do Tráfico de Bens e da Falsa Consagração (Cap. CXXVII a CXXX)

A avareza desnatural alcança o cúmulo na vergonhosa simonia imperante que inunda vergonhosamente a Sé; vendendo ilicitamente e comprando indecorosamente a graça santificante e os sacramentos, entregam os preciosos rebanhos episcopais a favoritos gananciosos vazios, destituídos de verdadeira luz moral, num vil mercado mercenário que descaracteriza o Templo numa autêntica cova de salteadores. Presos na cegueira prepotente máxima engendrada pelo egoísmo exacerbado, uns poucos ainda temem acidentalmente o perigo espiritual direto no ato litúrgico, e para acalentar secretamente o seu medo servil da fúria divina abissal sem sequer tencionarem purgar as suas podridões venenosas por uma conversão devota, cometem o supremo sacrilégio simulador ilusório: murmuram e gesticulam no altar como se litúrgicos fossem, unicamente fingindo a sagrada transubstanciação das espécies a fim de esconder do povo o seu horror abismal, transformando a audiência inocente piedosa em meros pedintes idólatras da hóstia pão não consagrada.

As Agonias Extremas: O Desfecho dos Pastores Ímpios e Fiéis (Cap. CXXXI a CXXXII)

As distinções entre a agonia leal do sacerdote justo e os gritos torturantes da morte do péssimo consagrador ressoam dolorosamente. O bom servo extasia-se em quietude iluminadora divinizante arrebatadora e exprime contentamento abraçando o Verbo antes mesmo da saída corporal extática, enquanto a desvalida alma conspurcada estremece no horror desarmado pânico encurralado, apupada com deboche pelos espíritos demoníacos possessivos triunfantes perante todos os fracassos eclesiásticos. E ainda por cima as pesadas recriminações das vozes atrozes ensurdecedoras remorsosas acusatórias oriundas de memórias dolorosas incontornáveis sobre a omissão de todas as almas perdidas pelo seu fracasso pastoreador ressoar-lhe-ão incisivamente como sentenças punitivas insustentáveis de ignominiosa perdição.

Fuga ao Desespero e o Cântico da Providência

A Oração Reparadora de Catarina (Cap. CXXXIII a CXXXIV)

Mesmo perante crimes tão nefastos e castigos implacáveis asfixiantes, advertida divinamente perentoriamente a não abraçar a retaliação punitiva física direta, Catarina renova-se nas lágrimas vivas abismais pela compaixão; prostra-se incessantemente diante da caridade inextinguível amorosa de Deus para suplicar desesperadamente pela purificação drástica expiatória corretiva rejuvenescedora da Igreja ensombrada, confiada de que os rogos puríssimos intercessores humildes obrarão na regeneração de um clero autêntico límpido revigorado, não restando a pecaminosa ofensa final absoluta do desespero terminal (o único entrave pernicioso final trágico irremediável por que são flagelados e caem irreversivelmente sem o atestado remanescente misericordioso de regresso da contrição final).

Tratado da Providência: Criação, Redenção e Provisão (Cap. CXXXV a CXXXVII)

Introduzindo os profundíssimos alicerces da Providência, revela o Pai Celeste as engrenagens perenes infalíveis criadoras providenciais: criando o ser de barro numa perfeição inalcançável da similitude análoga infindável Trinitária original abrigando três potências imutáveis. Como contramedida de restauro regenerador essencial perante a subversão letal da desobediência rebelde envenenada proveniente de Adão decadente, a providência celestial sublime ocultou incrivelmente o seu colossal anzol imortal incapturável refulgente da Deidade no singelo isco mortal carnudo frágil temporário da encarnação humana do Seu Filho predileto Verbo amantíssimo. Deste modo formidável, o pescador superou o inimigo aprisionante ilusório sedutor das trevas abismais do inferno, resgatando a herança eterna humana exilada moribunda das chamas e legando permanentemente as dádivas da provisão batismal expurgadora curativa nutritiva vital da mesa eucarística para suportar integralmente todos os embates do exílio terrestre.

Toda Causa e Efeito Pertence à Vontade Perfeita de Deus (Cap. CXXXVIII a CXL)

A Providência desvenda as cegueiras erróneas enganadoras crónicas que assaltam as observações temporais limitadas errantes. Nada do que advém subitamente - pragas calamitosas destrutivas afugentantes climáticas, privações desnecessárias, a subida ruína financeira opressiva ou infortúnios físicos fatais mortais cruéis -, em absoluto nunca representariam atos de punibilidade rancorosa arbitrária despótica. Os acidentes dolorosos concretos e até flagelos hostis mundiais são metodologias amargas rigorosas cirúrgicas providenciadas puramente por amor divino carinhoso providencial perfeitamente delineadas em proveito pedagógico expiatório da fortificação redentora sublime, visando unicamente arrebatar firmemente e resguardar atenciosamente e conduzir infalivelmente eternamente a salvação do Homem.

O Magistério Universal e Minucioso da Providência

A Pedagogia das Tribulações e o Socorro Eucarístico (Cap. CXLI a CXLII)

A suma Sabedoria assevera que a terra propositadamente produz espinhos e agruras para despertar o homem da ilusão mundana mortífera, arrancando-o da inércia perigosa letárgica; sem tribulações dolorosas repulsivas, a humanidade estagnaria totalmente embriagada nas consolações transitórias terrenas. Deus, que generosamente provê vigor a todas as criaturas e criaturas insignificantes orgânicas, muito mais diligentemente governa a Sua coroa intelectual, o Homem; e providencia singularmente o sustento interior da alma pela administração insubstituível vitalícia do Santíssimo Sacramento. Frequentemente, quando a Eucaristia física e presencial é incompreensivelmente impedida ou transitoriamente adiada, Deus atua providencialmente invisivelmente compensando e arrebatando a alma saudosa num colóquio místico impalpável que dilata os ditames do desejo sagrado arrebatador e transborda a satisfação espiritual incomparável inescrutável transubstanciada do Seu Sangue etéreo resplandecente.

Providência Aplicada: Pecadores, Imperfeitos e Perfeitos (Cap. CXLIII a CXLVI)

A formidável operação da Providência atua individualmente em cada estamento de alma incansavelmente. Nos que chafurdam atrozmente no pecado mortal letal impenitente, Deus infunde perturbações asfixiantes íntimas agudas cruéis da consciência ou subtrai repentinamente deleites carnais temporais intencionando incessantemente fomentar contrição corretora redentora arrependida. Relativamente àqueles limitados aprisionados num amor transitório imperfeito amarrado a sensibilidades, permite açoitamentos demoníacos atrevidos persistentes e períodos tortuosos excruciantes de sequidão mental gélidos e obscuros para extirpar inteiramente o veneno mortífero sutilíssimo parasitário nocivo da suficiência própria ilusória morta da vanglória; entrelaçando sagazmente até mesmo afetos espirituais temporários purificadores fraternais transitórios intermédios purificados. Em contraste esplêndido formidável invencível impessoal intocável resguardado sublime soberano, os perfeitos justos integrados caritativos transcendentes abraçam jubilantes serenos jubilosos intrépidos pacíficos toda moléstia humilhante torturante injuriosa como condecoração magna do serviço cooperante cocriador substitutivo na extenuante e heroica nobilíssima tarefa pesqueira árdua corajosa arriscada salvífica compassiva reconciliatória dos iníquos naufragados desgraçados sofredores desgarrados pecadores perdidos.

A Harmoniosa Teia da Caridade e o Triunfo da Santa Pobreza

O Plano Inclusivo: Imperativos Interdependentes e Esplendor Celeste (Cap. CXLVII a CXLVIII)

As potências intelectuais psíquicas redimidas alinhadas congregadas sincronizadas agem como instrumentos apaziguadores sonoros musicais uníssimos imaculadamente ressonantes da harmonia criadora celestial exultante inebriadora. Expandindo a compreensão dos Seus propósitos, o Pai Celeste enuncia que as dissemelhanças assimétricas socioeconómicas inconstantes e desigualdades técnicas operacionais nas várias profissões e ofícios terrestres foram metodicamente estrategicamente pensadas para obrigar inexoravelmente a interdependência compulsória frutuosa contígua humana cooperante benévola orgânica e, inerentemente, o exercício constante insubornável ativo caridoso laborioso relacional; uma solidariedade ininterrupta caritativa recíproca unificadora terrestre que espelha magnificamente gloriosamente maravilhosamente a hierarquia fraterna desprendida inesgotável transbordante co-participativa coesiva jubilosa amorosa refulgente dos santos bem-aventurados abençoados exaltados e celestiais anjos no Paraíso celestial eterno imperecível pacífico inalterável transcendente.

Pobreza Voluntária contra a Tirania Cega e Cruel das Riquezas (Cap. CXLIX a CLIII)

No extremo diametral da penúria egoísta apegada gananciosa desumana usurpadora, impura cega avara materialista prepotente endividada escrava, a amantíssima augusta imaculada excelsa nobre virtude casta sagrada despojada voluntária heroica rainha "Pobreza Evangélica" atrai todas as delícias espirituais invulneráveis resplandecentes imortais apaziguadoras reconfortadoras imbatíveis duradouras divinas. Inúmeros homens iludidos rastejantes arrastam as suas existências afogados torturantemente no acúmulo patológico ineficiente passageiro insaciável descontrolado atormentado, mergulhando profundamente desastrosamente a sociedade em sangrentos morticínios fratricidas cruéis rancorosos usurários aviltantes opressores enganadores homicidas odiosos mortais invejosos. Contrariamente, a "Senhora Pobreza", abraçada amorosamente no exemplo originário supremo invencível sublime heroico imortal formidável carinhoso sacrifical pacífico paciente salvador redentor humilde empobrecido incondicional despido desapegado da Manjedoura humilde despojada à Cruz dolorosa torturante angustiante solitária cruciante atroz sangrenta do Verbo Amantíssimo Inocente Encarnado Doloroso Santíssimo Cordeiro, liberta soberanamente inteiramente peremptoriamente permanentemente cabalmente o coração virtuoso resoluto resolutivo firme focado valente pacífico da estéril desditosa tirânica perene insuportável ilusória escravidão mundana ilusória enganadora sufocante.

Tratado da Obediência: A Chave que Abre o Céu

O Verbo como Encarnação da Obediência Obediente e Vitoriosa (Cap. CLIV a CLVI)

Sendo interpelado incisivamente rogosamente devotamente clamorosamente pela alma apaixonada abrasada sedenta ardente embriagada inflamada humilde grata de Catarina reverente exultante, o Criador principia as sublimes diretrizes exaurientes clarificadoras exultantes salvíficas iluminadoras definitivas definitivas resolutivas reluzentes redentoras libertadoras maravilhosas vitais salvacionistas do Tratado da Obediência. A obediência formidável gloriosa humilde caritativa luminosa, sempre indissociavelmente unida intimamente à inabalável paciente companheira invencível protetora heroica paciência silenciosa inquebrável sofredora conformada, ergue-se fundamentalmente primariamente originariamente maravilhosamente como a única exclusiva excelsa gloriosa majestosa vitoriosa libertadora Chave Celeste Restauradora esplendorosa: no exato contraponto antagónico mortífero catastrófico abismal aterrador perversor corrompedor amargo desesperador letal desobediente rebelde traidor orgulhoso insolente escurecido sombrio desolador ingrato maldito venenoso rebelde pecaminoso arrogante repulsivo impuro maculado putrefato egoísta asqueroso hediondo da queda trágica amaldiçoada originária original de Adão insensato insubordinado decaído e corrompido que, pervertido egoistamente orgulhosamente caprichosamente cegamente presunçosamente levianamente, amassou destruiu corroeu esmagou criminosamente atrozmente deliberadamente tolamente loucamente miseravelmente amargamente covardemente as chaves graciosas originais imaculadas virginais primitivas, o amabilíssimo meigo suave sereno castíssimo obediente fiel devoto sofredor doloroso paciente pacífico cordato majestoso divino puríssimo Verbo Encarnado Redentor Cordeiro Filho Unigênito Verbo Imenso refabricou-as purificou-as forjou-as resgatou-as lustrou-as banhou-as resplandeceu-as gloriosamente definitivamente sacrificialmente no fogo purificador sublime do Seu incomensurável incomparável inexaurível impetuoso amoroso divino martírio sangrento na bigorna áspera da Sagrada Cruz impiedosamente.

As Vias de Obediência Particular nas Ordens Religiosas (Cap. CLVII a CLXI)

Além da impositiva inegável universal compulsória basilar geral exigível imprescindível inegociável fundamental inquestionável imperiosa essencial premente iniludível obediência legal estatutária regulamentar normativa inarredável canônica devida aos preceitos teológicos decalogais ditames salvíficos divinos universais morais doutrinais absolutos mandamentos dogmáticos incontornáveis vitais divinos, ascende altaneiramente exponencialmente voluntariamente devotamente heroicamento abnegadamente nobremente superiormente heroicamente radicalmente resolutamente santamente virtuosamente ardentemente corajosamente firmemente abnegadamente o comprometimento irrestrito singular religioso radical radical ascético devoto castíssimo casto isolado apartado renunciante incondicional consagrado sacrossanto perpétuo santificador especial: o estrito ingresso devoto vocacionado chamado convidado providencial voluntário humilde apaixonado amoroso pacífico sereno consagratorial na naveclesiástica fraterna disciplinar ordeira formadora regular pacífica edificante protetora enclausurada pacificada ascensional unificadora caridosa virtuosa espiritualista formativa purificadora ascética luminosa salvaguardada segura protetiva sagrada barca celestial mística comunitária regulada litúrgica santificadora "Religião/Ordem". Cada barca é engenhosamente amorosamente magistralmente estritamente desenhada delineada inspirada guiada capitaneada divinamente iluminada gerida governada estruturada instituída forjada erguida pelo providencial Supremo Espírito Santo Timoneiro Comandante: quer na rígida pobrezinha espoliada minimalista esgotada severa radical intransigente penosa desprovida desposada desapossada mendicante rigorosa assexual indigente dolorosa alegre serena despreocupada pobríssima evangélica abnegada simplicidade seráfica virtuosa sublime ascética de São Francisco mendicante adorador devoto amante paciente estigmatizado; quer na ofuscante cintilante irradiadora erudita incandescente ilustre doutrinal clarificadora culta exímia apuradíssima esclarecedora purificada sábia sapiente iluminada intelectual inteligente desmistificadora combativa desanuviadora estudiosa vigilante alerta resplandecente luminosa defensora argumentativa dialética retórica evangelizadora intrépida ardorosa magistral ortodoxa doutrinária apostólica científica racional teologal de São Domingos pregador extirpador herético zeloso guardião doutrinador apologista teólogo intelectual santo confessor intrépido infalível fiel estudioso incansável. Contudo, todos os frades corruptos dissimulados avarentos gulosos mentirosos rebeldes devassos insubmissos insolentes falsos traidores perjuros covardes simuladores desleais impacientes rancorosos soberbos cobiçosos materialistas egoístas relaxados acomodados mornos frouxos mundanos amantes escravizados amarrados aprisionados sensuais desgraçados teimosos cegos surdos relapsos empedernidos adormecidos ingratos vaidosos orgulhosos arrogantes fingidos murmuradores maledicentes preguiçosos vadios farisaicos insubordinados amotinados profanos hipócritas fementidos depravados desobedientes encontram o Inferno torturantemente e sentem a amargura insuportável agonizante terrível da repulsa odiosa abjeta infernal insuportável contínua perpétua dolorosa asfixiante aflitiva excruciante lacerante torturante ardente insidiosa tenebrosa dolorida sufocante cáustica destruidora punitiva devastadora desesperadora tétrica fadigosa já na Terra, lutando dolorosamente futilmente frustradamente fracassadamente impotentemente contra as santas obrigações.

O Cume da Obediência e a Oração Final de Louvor

A Tepidez Religiosa e a Excelência da Verdadeira Obediência (Cap. CLXII a CLXV)

Após discorrer sobre os obedientes genuínos e os prevaricadores orgulhosos, o Pai Celeste alerta severamente sobre a perigosa condição letárgica dos religiosos mornos ou tíbios: aqueles que professam os votos sagrados e evitam o flagrante pecado mortal, mas transitam permanentemente na inércia, cumprindo os inúmeros preceitos ordenados levianamente desatentamente mecanicamente superficialmente friamente, com enfado doloroso e orgulho vaidoso. A Suma Verdade assevera explicitamente irrefutavelmente que a grandiosa gloriosa excelsa majestosa incomensurável recompensa celestial eterna inesgotável transbordante imperecível não é de modo algum mensurada cronologicamente pelo tempo temporal terreno longo e penoso de aparente suposta hipócrita oca dolorosa exibicionista exterior vazia carnal vazia falsa prolongada falsa ininterrupta árida obediência superficial; nem tão pouco pelo volume exaustivo extenuante fadigoso corporal da disciplina flagelante externa e jejum físico excruciante severo desprovido dissecado destituído esvaziado mecânico fadigoso árido; mas unicamente invariavelmente absolutamente pela puríssima chamejante fulgurante inextinguível transbordante ardente amorosa impetuosa magnânima virtude excelsa da Caridade inestimável divina.

Recapitulação Divina e o Êxtase de Gratidão de Catarina (Cap. CLXVI a CLXVII)

Aproximando-se do majestoso apogeu conclusivo transcendente final magistral supremo, Deus Pai amorosamente coroa admiravelmente todas as sublimes indispensáveis vitais preciosas inesquecíveis redentoras salutares irrepreensíveis diretrizes transmitidas exaustivamente pormenorizadamente abundantemente amorosamente generosamente ao longo de todo o sublime inefável luminoso libertador pacificador glorioso esplêndido inebriante enlevado colóquio místico sagrado. Tendo o entendimento superiormente divinamente iluminado, inflamada subitamente arrebatada violentamente por sublime apaixonada abrasada devota extasiada fervorosa flamejante incontida indescritível maravilhosa santificante inefável divina ardente caridade extática reverente flamejante exultante radiante majestosa, Santa Catarina explode incontrolavelmente irrompendo maravilhada apaixonada radiante embevecida prostrada profundamente rendidamente numa magnífica exclamativa poética excelsa altíssima incomparável fervorosa eloquente formidável soberana jubilosa resplandecente esplendorosa magistral grandiosa fervorosa exultante apoteótica arrebatadora oração litúrgica sublime de preces solidárias suplicantes ininterruptas ardentes chorosas humildes fervorosas pelas misérias flagrantes pecaminosas dilacerantes decadentes destrutivas mortíferas abismais humanas sofredoras desviadas decaídas agonizantes dolorosas e por toda a Santa Igreja. Assim gloriosamente esplendorosamente radiantemente estupendamente arrebatadoramente resplandecentemente maravilhosamente apaixonadamente magnificamente ela sela, consagra e encerra eternamente definitivamente imortalmente permanentemente gloriosamente as sublimes sacrossantas celestiais indeléveis revelações abençoadas dogmáticas luminosas divinas salvíficas libertadoras inestimáveis insondáveis gloriosas salvadoras imperecíveis inesquecíveis imortais do seu grandioso inigualável imperecível magno Tratado; louvando celebrando glorificando exaltando apaixonadamente infinitamente a sacrossanta indispensável admirável libertadora fulgurante vitoriosa invicta suprema salvadora redentora majestosa invencível excelsa gloriosa formidável formidabilíssima claríssima beatífica estupenda magnífica clarividente imortal indestrutível irrevogável incontestável perene indefectível absoluta luzente resplandecente beatíssima santíssima divina impoluta inigualável excelsíssima esplendorosa da Luz fulgurante esplendidíssima infinita divina Eterna Onipotente Infinita Imaculada Soberana Intemerata da Fé.